
Dando continuidade à seqüência de estudos sobre a demanda em vários segmentos do varejo (supermercados, lojas de material de construção, lojas de roupas entre outros), a CANAL VAREJO e o PROVAR - Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração, entidade conveniada à Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, realizaram o presente estudo sobre o setor da saúde.
Este relatório tem como objetivo a apresentação dos resultados deste estudo, discutindo as tendências de consumo para o setor em questão.
Os dados aqui apresentados foram obtidos em uma pesquisa de campo junto aos consumidores da cidade de São Paulo, que informaram perfis de compra, tendências e formas de uso.
Uma ressalva importante que deve ser feita é que os resultados deste estudo devem ser confrontados com outros trabalhos e muitos fatores podem colaborar para a realização ou não das colocações constantes neste relatório - inclusive oscilações macroeconômicas e choques de oferta. Na época particular deste estudo, os efeitos de pequenas elevações da taxa básica de juros (que permanecem em patamares elevados) e a pequena redução da cotação do dólar americano podem significativamente influenciar as disposições iniciais de consumo e gasto de alguns serviços.
Assim, com estas ocorrências, o conhecimento das alocações de recursos e restrições orçamentárias permite que se estabeleçam diretrizes e tendências para o setor.
O setor da Saúde se configura pela aplicação da ciência biomédica em seus diversos ramos de atuação. Tanto as áreas clínica, médica e odontológica, quanto a área de medicamentos destinada a esse setor recebem grandes investimentos, tanto do setor privado, quanto do setor público. Nesse sentido, o alto grau de especialização e as constantes pesquisas mostram a força e importância desse setor e comprovam o alto grau de ramificação das frentes de trabalho e pesquisa.
Assim, de algo tão ramificado, deve-se primeiramente analisar o número total desses estabelecimentos como um indicador de crescimento geral do setor. De acordo com dados da pesquisa "Estatísticas da Saúde: Assistência Médico-Sanitária" realizada pelo IBGE, desde a década de 1970, observa-se um crescimento da quantidade de locais destinado à saúde no Brasil. De acordo com a pesquisa, o número de
estabelecimentos cresceu de 13.133 em 1976 para 65.343 em 2002. Como principal fator para esse crescimento, temos o aumento significativo de clínicas que não envolvem a internação de seus pacientes. Essas, em 1976, somavam 7.822 e, em 2002, chegaram à 46.428. O crescimento observado, segundo o IBGE, foi possível graças a um aumento de 75,57% dos estabelecimentos públicos sem internação brasileiros.
Portanto, independente da especificidade do campo pertencente ao setor da Saúde, pode-se observar que grandes investimentos estão sendo feitos a fim de melhorar e aumentar a quantidade de estabelecimentos brasileiros na área em questão. A análise anterior abre caminho, então, para dados específicos de cada região. Observa-se, assim, em São Paulo, números igualmente interessantes referentes ao setor, principalmente por essa região possuir um elevado grau de desenvolvimento e uma população com renda elevada.
De acordo com o IBGE, o número de estabelecimentos destinados à Saúde em 1976 era de 2.321 e, em 2002, esse número cresceu para 9.384. São Paulo possuía, nesse ano, 962 estabelecimentos com internação para seus pacientes, 6.385 sem internação e 2.037 estabelecimentos de apoio à diagnose e terapia. O setor público conta com 4.231 locais destinados à saúde, o setor privado ligado ao SUS 1.004 e o setor privado não ligado ao SUS conta com 5.153.
Diferentemente dos números referentes ao Brasil como um todo, São Paulo contava, em 2002, com uma rede privada de estabelecimentos de Saúde maior que a pública. Isso porque, como dito anteriormente, seu nível de desenvolvimento é altamente elevado, quando comparado ao resto do país. Outro fator é a presença da classe média alta e rica com um poder de compra elevado e que pode gastar com a mais alta tecnologia.
Na área de Saúde, outro importante indicador é o número de leitos em estabelecimentos com a internação do paciente. Primeiramente, o número de leitos em 1976 no Brasil era de 443.888 e passou, em 1992, para 544.357. Esse crescimento foi seguido por um declínio, em 2002, para 471.171. Essa queda se dá principalmente no setor privado, responsável por 76,61% dos leitos em 1990 e 68,64% em 2002, com uma perda de 83.891 leitos.
Como se destacou anteriormente, em âmbito nacional, a força estatal na saúde garante uma crescimento geral, pois se investe, comparativamente com a iniciativa privada, mais intensamente.
De acordo com a pesquisa do IBGE, mesmo a região sudeste apresentou queda de 4,63% no número de leitos privados, e a situação paulista, em 2002, mostrava 98.169 leitos totais, sendo 23.669 públicos, 55.089 privados ligados ao SUS e 74.500 privados não ligados ao SUS.
Este panorama geral mostra algumas tendências frente à situação do setor vigente do setor da saúde.
Este presente pesquisa tem por objetivo oferecer embasamento para estas conclusões, mostrando tendências e apontando alocações de recursos e perfil de consumo dos serviços associados a este setor. Este relatório encontra-se estruturado em duas partes. Na primeira parte, é apresentado o método utilizado na pesquisa de campo, seguido de seus resultados. Na segunda parte, são apresentadas as principais conclusões.