Pós-Graduação Inteligência de Mercado


Marketing de Varejo

     

É quase impossível ler os jornais e os sites na internet ou ouvir os noticiários na TV e no Rádio sem ser inundado por mensagens sobre a crise econômica, a queda do valor das empresas, a queda nas vendas, as demissões e até como os bilionários brasileiros passaram a ser apenas milionários perdendo grande parte do seu patrimônio.

Um olhar sobre a imprensa no início de fevereiro mostrava notícias como:
- "Catástrofe" no mercado automobilístico se tornou global, diz Peugeot
- Produção de veículos cresce; Anfavea prevê melhora no setor em fevereiro
- Prejuízo no quarto trimestre faz Volvo ter lucro 33% menor em 2008
- Vivo investe R$ 103 milhões na Paraíba e em Alagoas
- GVT diminui investimento para 2009, mas nega impacto da crise
- Vendas de champanhe caem pela primeira vez em 8 anos
- Exportação de vinho sobe 7,7% em 2008 no Chile
- McDonald's abrirá 175 novas lojas na China em 2009
- Lucro do grupo farmacêutico Roche cai 5% em 2008
- Barclays divulga lucro de US$ 9 bilhões em 2008

Ou seja, notícias contraditórias, mas sempre com o tom alarmista que na falta de uma análise mais detalhada traz medo e a natural paralisia decorrente.
O desconhecimento e o medo da crise será um dos geradores da crise!

Ao não entender o que está acontecendo, há um comportamento de retração que faz com que o empreendedor e o gestor reduzam naturalmente os investimentos e as atividades o que gerará a crise!

Naturalmente diante de uma situação de incerteza deve-se buscar novos rumos e novos caminhos, mas deve-se buscar acima de tudo um claro entendimento do ambiente de mercado para detectar as oportunidades diante dos problemas que são apresentados.

Ao buscar a Inteligência de Mercado para lidar com esta realidade nos deparamos com situações interessantes como:

- “...dos 39 bilionários brasileiros que foram formados a partir de 2004 com o início dos IPO’s na bolsa de valores, 34 haviam tido perdas significativas...” Revista Exame (final de dezembro)
Analisando dois destes bilionários; Constantino Jr. da GOL e Maurício Amaro da TAM que possuíam em meados de 2006 o patrimônio aproximado de 3 bilhões de dólares, tiveram perdas que o reduziram para aproximadamente meio milhão de dólares em final de 2008. A pergunta que surge é: as empresas que geraram essas fortunas perderam 80% de suas frotas, há 80% de passageiros a menos voando?

- “...se espera que 7000 lojas fechem no primeiro semestre no mercado Americano, a CIRCUITY CITY uma das principais lojas do setor de eletroeletrônicos teve sua falência decretada......” por sua vez, a BEST BUY está estudando a compra dos melhores pontos que foram fechados e a RADIO SHACK está inaugurando uma loja conceito em Manhattan.

- Análise da evolução dos Ativos Financeiros e do PIB mundial em trilhões de dólares
Ano Ativos Financ. PIB Fator
1980 12 10 1.2
2006 170 48 3,5
2008 120 62 1,9

A CRISE EXISTE, MAS QUE CRISE É ESSA?

A crise foi gerada no mercado financeiro com tal força que é necessário rever os conceitos econômicos e afetou o mercado real, onde se compra e se vende, se produz e se atende clientes e consumidores.
As empresas inflaram seus negócios com o objetivo da valorização financeira na bolsa de valores que há muito se distanciou da economia real.
Conforme afirmou um executivo do varejo americano: estivemos gerindo as empresas com o olhar na valorização das ações e muitas das lojas que estão sendo fechadas agora nunca deveriam ter sido abertas.
Como explicar que a crise foi responsável pelos resultados negativos das empresas se existem empresas do mesmo setor que estão aumentando suas atividades aproveitando a crise?

A CRISE É DE GESTÃO!

Ao olhar para o “mundo real” encontramos consumidores mais preocupados e mais receosos com relação aos seus gastos, dando prioridade ao que necessitam e sendo mais cuidadosos em comprar o que desejam.
Cabe ao varejo desenvolver ações de motivação e de encantamento deste consumidor por meio de novos produtos, melhor atendimento, facilidade de pagamento, ações promocionais e valorização da experiência de compras.
Este é o momento onde os bons gestores fazem a diferença, pois estes já atuavam desta forma mesmo quando vender era fácil. Já investiam em conhecer melhor os consumidores, em adequar seus produtos, investiam no treinamento e desenvolvimento da equipe e tinham sistemas de gestão e controles implantados.
Com menos consumidores visitando as lojas e com intenção de gastar pouco, o bom gestor fará a diferença entre vender e não vender e entre vender $50 ou vender $70.
Estas empresas que tinham em seu processo a Inteligência de Mercado e de Gestão com certeza sairão fortalecidas da crise, porque por um lado a entenderam em sua plenitude e souberam aproveitar as oportunidades e por outro já praticavam a gestão adequada ao negócio, influenciando o ambiente e não apenas reagindo às oscilações do mesmo.

   

       

Prof. Dr. Francisco J.S.M. Alvarez

Doutor e Mestre em Administração pela FEA-USP , Economista, Professor do curso de graduação de Marketing da EACH-USP, professor dos cursos de MBA e pós graduação da FIA e da ESPM. Autor dos livros Trade Marketing e Gestão eficaz da Equipe de Vendas editados pela Saraiva, Diretor da Trade Marketing Assessoria S/c Ltda, tendo realizado programas de treinamento e consultoria para diversas empresas tais como:
Bridgestone-Firestone, Bayer, Novartis, Monsanto, Banco do Brasil, Bradesco, Pepsico, dentre outras. Foi diretor geral da Lacoste no Brasil e gerente de marketing para a América Latina da Philips do Brasil.