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Analise de Balanço

Quando perguntamos aos executivos qual o principal objetivo das empresas, a resposta mais freqüente é: “Gerar lucro”. Mas será que qualquer lucro, em qualquer magnitude é suficiente? Imagine que você crie uma empresa investindo R$ 100.000 e, após um ano de atividade, ela consegue gerar um lucro de R$ 6.000. Você ficaria satisfeito? Investir R$ 100.000 para receber uma remuneração de R$ 6.000, obtendo, portanto, uma rentabilidade de 6% ao ano (R$ 6.000 dividido por R$ 100.000). Vejamos: se você tivesse optado por investir no Fundo DI do seu banco ou em títulos do governo federal, por exemplo, em 2007, teria obtido uma rentabilidade ao redor de 12% ao ano, portanto, um retorno maior e certamente com um risco menor. Então, ao optar por investir na empresa, você abriria mão da oportunidade de efetuar um investimento de menor risco e maior retorno. Este é o seu custo de oportunidade. E é em relação a este custo que a remuneração que a empresa oferece deve ser comparada. Então, em relação à oportunidade de investir no fundo DI ou em títulos do governo federal, o investimento na empresa não é uma boa opção, ao menos neste ano.

Desta forma, fica evidente que o objetivo das empresas não é a geração de qualquer lucro, mas sim um lucro que signifique uma rentabilidade superior ao custo de oportunidade dos investidores. Se isso ocorrer, a empresa estará criando valor para os seus proprietários ou investidores.

Tendo então a rentabilidade superior ao custo de oportunidade como objetivo principal da empresa, podemos nos aprofundar e procurar entender de onde vem a rentabilidade e quais são as estratégias que podemos adotar para aumentá-la. De forma bem sucinta, dizemos que a rentabilidade de qualquer companhia pode vir da Margem (o fato da empresa conseguir comprar e/ou produzir barato e vender caro), do Giro (o fato da empresa conseguir comprar e/ou produzir e vender numa velocidade acelerada) ou da Alavancagem Financeira (o fato da empresa usar endividamento como fonte de financiamento das atividades).

E as decisões que impactam a Margem, o Giro e a Alavancagem Financeira são de todas as áreas da empresa e não exclusividade da área financeira. Em realidade, estas decisões podem ser muito mais das áreas de Marketing ou Produção, por exemplo, do que de Finanças. Investir ou não na modernização do parque industrial de uma indústria é um bom exemplo de decisão que pode depender mais das expectativas de geração de receita e, portanto, de Marketing, do que do corpo financeiro. Assim, torna-se essencial que um contingente maior de profissionais tenha o conhecimento e a visão dos impactos das decisões que tomamos no dia-a-dia na Margem, no Giro e na Alavancagem Financeira, portanto, na rentabilidade. E é justamente do aprofundamento desta discussão a respeito da rentabilidade e das formas de atingi-la que derivam algumas questões fundamentais para as empresas:

  • Quais produtos ou serviços mais contribuem para a rentabilidade e, portanto, devem ter sua venda estimulada?
  • Como posso analisar e estimar o impacto de melhorias nos produtos e serviços, promoções, descontos
    e outras ações na rentabilidade da empresa?
  • Em qual proporção as vendas podem cair, para que a empresa ainda continue dando uma rentabilidade adequada?
  • Quais são os riscos do negócio? É possível mensurá-los?
  • Como posso comparar os meus resultados e os meus riscos com os dos meus concorrentes?

O entendimento dos conceitos e ferramentas para podermos analisar, discutir e responder adequadamente todas estas questões são fundamentais para o desenvolvimento de ações no âmbito da Inteligência de Mercado e formam o objetivo central da nossa disciplina: Finanças Corporativas.
Bons estudos a todos!

Prof. Adriano Mussa

Adriano Mussa é Doutorando em Administração (Finanças) pela FEA/USP, Mestre em Administração (Finanças) pela PUC/SP, MBA em Finanças pelo Ibmec/SP e Bacharel em Administração pela PUC/SP. Professor de diversas disciplinas de Finanças na FIA - Fundação Instituto de Administração em programas de MBA, Pós-Graduação e Especialização. Atua como Consultor Financeiro nas áreas de Controladoria, Valuation e Finanças Corporativas. Autor de diversos artigos científicos publicados em revistas especializadas em Finanças. Atuou no Citigroup, na Gerência de Planejamento e Orçamento e na Gerência de Controladoria de Operações Tesouraria.


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